Resenha: A morte e os seis mosqueteiros - Anatole Jelihovschi

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Skoob – Avaliação: 4/5

Em seu novo romance policial, Anatole Jelihovschi mergulha fundo no cotidiano das infâncias perdidas, dos relacionamentos partidos, das oportunidades que tantos ainda acreditam distantes demais da realidade.
A morte e os seis mosqueteiros é a história de seis garotos muito amigos de uma favela. Quando crianças, tudo era uma grande brincadeira. Os meninos gostavam de se imaginar nos mundos de capa e espada, ou na peça ‘O fantasma da ópera’, mas na verdade moravam em uma favela violenta, com bandidos e policiais trocando tiros e matando gente. Ainda quando a infância sequer os havia deixado, a violência e o tráfico na comunidade em que viviam, de uma forma ou de outra, acabariam por envolvê- los em uma teia de morte, assassinando seus sentimentos, valores e, principalmente, sua amizade.

*Livro recebido em parceria com a editora*

A Morte e os seis mosqueteiros foi me oferecido pela editora para resenha, e depois de tanto demorar em postá-la (sorry) hoje vim aqui contar pra vocês o que achei desse romance policial que foi meu primeiro contato com a escrita do autor.

O livro é narrado por Zequinha, um dos garotos moradores da favela que tem mais 5 amigos que se chamam de “Os seis mosqueteiros”, eles eram completamente unidos, mas na medida que vão crescendo a vida vai mudando para cada um deles, essa amizade vai se deteriorando e muitos deles abandonam os estudos para entrar na vida do crime, realidade comum de muitos jovens daquela região.

Mas Zequinha resiste a todo o momento para não ir pra esse caminho, ele ainda sonha em voltar a estudar e poder melhorar sua vida saindo daquela favela, mas as dificuldades que ele tem que enfrentar morando naquele lugar corrompem seus sonhos dias após dia, e cada dia é mais difícil sonhar vivendo naquela realidade.

Na favela não existe futuro, não. [...] Ninguém estuda para se formar doutor ou casar com garota rica, ganhar dinheiro e essas coisas todas. A gente precisa botar comida em casa, e é só. É isso hoje, vai ser isso amanhã. [...] Por isso esse negócio de morrer com dezessete, vinte e cinco ou oitenta anos, dá tudo na mesma. Ninguém tem futuro pela frente mesmo, e não se perde nada ao se morrer jovem aqui.

A morte e os seis mosqueteiros não foi uma leitura fácil pra mim, pois é uma realidade que eu não conheço pessoalmente, mas que vejo direto nos noticiários como é complicado viver em uma favela. O autor não poupa detalhes para narrar àquela vida, é claro que há uma dramatização maior, mas ela serve mais para mostrar ao leitor o quanto é complicado para aquelas pessoas não acabarem entrando na vida do crime, desistindo dos seus sonhos, passar fome… Tudo é mil vezes mais complicado para quem vive assim, e o autor conseguiu passar essa mensagem com maestria para o leitor.

O livro possui uma linguagem mais simples, já que Zequinha não tem estudo então não narra sua trajetória com palavras difíceis e tals, e isso foi um dos pontos fortes que achei no livro, pois nos sentimos na pele do protagonista, isso nos aproxima mais ainda da história, e todos os relatos se tornam mais pesados e pessoais para o leitor.

O livro é muito verdadeiro, e apesar de tratar de temas muito pesados como a criminalidade, traição, pobreza, violência doméstica e sexual, tráfico de drogas e o preconceito que essas pessoas sofrem, o modo com que ele é contato não deixa o livro denso demais ou repugnante demais, o autor consegue passar ao leitor aquela realidade angustiante desses moradores de forma bem clara, nos fazendo em muitos momentos perguntar como é que eles podem fazer para sair dessa vida, como podemos ter esperança, quem podemos culpar… É realmente um tapa na cara de pessoas que não conhecem tal vida e reclamam enquanto tem uma mordomia danada em casa e podem escolher a todo momento coisas que aquelas crianças não podem.

Mesmo com suas poucas 140 páginas é um livro muito completo, cheio de ação, sangue, detalhes trágicos, muito horror e um final que eu não esperava de maneira alguma. Esse é um daqueles livros que vai te tirar da zona de conforto literalmente e te jogar em uma realidade vivida por muitos brasileiros, e que a cada dia fica pior. É um livro difícil, porém necessário, que vai levar o leitor a fortes emoções durante toda narrativa e te deixar pensando sobre os assuntos tratados aqui por dias.

As cabeças eram o pior de se ver, olhavam para a gente com um olhar espantado, sem compreender o que havia acontecido, sem saber que foram cortadas do corpo. Uma inocência de criança. Olhe, se eu não visse aquele horror, nem diria que estavam mortos.

A morte e os seis mosqueteiros

ISBN-13: 9788566605570
ISBN-10: 8566605578
Ano: 2015 / Páginas: 140
Idioma: português
Editora: Jaguatirica

avaliação cupcake - Cópia

15 comentários:

  1. Oi tudo bem?
    Confesso que a premissa não me chamou a atenção então não sei se seria uma leitura que me agradaria então dessa vez passo a dica.

    Beijos

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  2. Ola
    Parece ser uma leitura rápida, mas talvez um pouco dificil mesmo, mas é bom saber que se mostra completo, apesar de ter poucas páginas. Não sei como ainda não tinha lido nada a respeito dessa obra, mas fiquei bem curiosa quanto ao desenvolvimento, ainda mais porque eu gosto de ler nesse estilo e sua resenha despertou minha atenção.
    Beijos

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  3. Olá Sabrina, tudo bem?

    Não conhecia o livro, tampouco a editora que fora publicado, mas gostei do enredo. Ele me lembra um pouco algumas características de Capitães da Areia. Não sei se to brizando, e se estiver desculpa, hahaha.

    Vou deixar a dica anotada aqui.

    Beijos

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  4. Oie, tudo bom?
    Eu adorei a resenha, pois realmente é uma realidade tão próxima da gente que muitas vezes é ignorada e retratada de uma maneira que não é fiel. Não sei se daria uma chance a leitura imediatamente, mas com certeza preciso ler essa história um dia.

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  5. Pelo título, eu pensei se tratar de uma fantasia medieval e não imaginaria que o tema é algo tão contemporâneo e pertinente. Adorei a sua opinião sobre o livro e entendo a sua pouca identificação com a abordagem, mas ainda assim, despertou em mim a vontade de ler o livro.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  6. Oi.

    Não conhecia nada deste livro até agora. Não acho que ele seja meu estilo de leituras. Também porque estou atolada de livros para ler no momento. Vou passar a dica dessa vez.

    Beijos!

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  7. Só de ler sua resenha já senti um peso enorme, o livro apesar de ser pequeno, parece ser completamente denso e acho que esse tipo de leitura nos dias de hoje é mais do que necessário.

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  8. Oie, tudo bem?
    Nossa que história pesada né? EU particularmente adoro livros com uma temática que vai nos deixar com aquele nó na garganta, livros difíceis pra mim são essenciais porque sempre nos quebram ao meio mas quando a gente se junta é com outra visão sobre tudo, empatia se encontra no topo.
    Com certeza um livro que eu iria adorar ler, apesar dos pesares.

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  9. Oi Sabrina, tive a oportunidade de ler esse livro e gostei muito do que encontrei, o autor trabalhou muito bem a criminalidade nas favelas e como as escolhas funcionam. Também achei o livro muito completo pelas poucas páginas que tem. Gostei do que você disse sobre o livro e fiquei muito curiosa para saber o que outras pessoas achariam dele.
    Beijos

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  10. Olá,
    Nunca tinha lido nada sobre esse livro e fiquei muito curiosa em ler. é definitivamente uma leitura para sair da zona de conforto, porém uma realidade atual e presente em nossa sociedade.
    E com muita carga tanto que acaba que isso refletiu em sua resenha o que só me deixa mais curiosa ainda em ler.
    Com certeza quero ter a chance de ler.

    Bjs,
    Garotas de Papel

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  11. Oiii,

    Eu não conhecia o livro, mas admito que quando li o titulo não achei que fosse falar de uma história de uma realidade próxima, não que eu realmente entenda, mas os noticiários, filmes e novelas estão ai nos jogando essa realidade na cara o tempo inteiro. Gostei do enredo e de saber que o final foi surpreendente, mas o fato de a leitura ser forte me fez colocar ela mais pra depois, pra quando eu tiver tempo de sentar e ler ela sem me preocupar com outras coisas.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com/

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  12. Oi Sabrina,
    achei bem interessante essa obra, ainda não tinha lido nada a respeito e o fato de abordar uma temática tão realista e ser bem curtinho me chamou muito a atenção e eu confesso que fiquei bem tentada a ler. Certeza de que vou procurar outras informações a respeito e assim que possível tentar adquirir meu próprio exemplar.

    Beijos!

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  13. Olá, tudo bom?
    Não conhecia esse livro mas fiquei super interessada em realizar a leitura para conhecer um pouco mais sobre a realidade das favelas e a vida que seus moradores levam. Só conheço o que vejo pelo jornal, então acredito que o livro tem muito a ampliar minha visão. Curiosa para conferir este livro que fala sobre infâncias perdidas, da dura realidade de crianças que crescem nas favelas e da vida que escolhem levar e até mesmo da que tentam fugir.
    Sugestão anotada!
    Beijos

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  14. Li a resenha acreditando que essa história no mínimo tinha 300 páginas, passei que não tem nem 200! Que enredo e premissa, acredito que nunca li nada assim e deve ser parecido com Cidade de Deus né? Super necessário mesmo, uma realidade que mesmo não sendo de todos, deveríamos entender para que o preconceito fosse quebrado!

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  15. Oi, Sabrina

    Não conhecia nem o autor e nem o livro. Achei muito pertinente a abordagem do autor e achei interessante o fato da história ser narrada por Zequinha.
    Mas o enredo como um todo não me conquistou, por isso acho que passo a dica.
    Mas que bom que conseguiu aproveitar a leitura mesmo com ela não sendo fácil inicialmente.

    Beijos

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