Novembro, 9 - Colleen Hoover

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Skoob – Avaliação: 4/5

Autora número 1 da lista do New York Times retorna com uma história de amor inesquecível entre um aspirante a escritor e sua musa improvável.
Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?

*Livro recebido em parceria com a Galera Record*

Falar dos livros da Colleen Hoover aqui no blog já virou rotina, afinal amo tudo que ela escreve e sempre que a Galera anuncia um novo livro dela aqui no Brasil fico eufórica e contando os dias para poder ler também.

Então, quando peguei Novembro, 9 para ler, já podem imaginar como minhas expectativas estavam (lá em cima), e confesso que gostei da histórias, mas não como imaginava. Mas, antes de saírem correndo para as colinas porque ‘não gostei’ de um livro da Colleen convido a lerem a resenha completa para conhecerem mais a história, porque por mais que não tenha favoritado o livro, ainda o recomendaria de olhos fechados (porém não como um dos primeiros da autora pra você ler).

Uma das coisas que sempre tento lembrar a mim mesma é que todo mundo tem cicatrizes. Muita gente tem umas ainda piores que as minhas. A única diferença é que as minhas são visíveis e a da maioria das pessoas, não.

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Quando digo que você simplesmente sabe, é porque você vai saber. Não vai questionar. Não vai se perguntar se o que está sentindo é realmente amor, porque, quando for, você vai morrer de medo de sentir isso. E, quando acontecer, suas prioridades vão mudar. Você não vai pensar em si mesmo e na própria felicidade. Só vai pensar nessa pessoa, que você faria tudo para ver feliz. Mesmo que isto significasse se afastar dela e sacrificar a própria felicidade pela dela. (...) Isto é amor, Ben. Amor é sacrifício.

Fallon é uma garota prestes a se mudar para Nova York para tentar seguir uma carreira de atriz, no seu último dia em Los Angeles ela convida seu pai para um almoço, para tentar ‘fazer as pazes’ afinal aquele dia, 9 de Novembro, era uma data emblemática pra eles: O dia em que ele botou fogo acidentalmente em sua casa, e o dia em que ela quase morreu queimada na casa do seu pai, o que destruiu completamente o relacionamento de ambos.

Porém aquele almoço não sai como combinado, e ela acaba só passando mais raiva conversando com ele, até que chega o ponto onde ele começa a desdenhar do fato de ela estar se mudando para uma cidade grande, para tentar ser atriz, afinal por ter o lado esquerdo do corpo praticamente inteiro coberto com cicatrizes, ela nunca vai conseguir um papel importante em uma cidade repleta de meninas lindas com o mesmo sonho. É ai que entra Ben, um completo estranho que estava sentado na mesa de trás de Fallon, e que vendo toda a injustiça que ele estava fazendo com ela, decide fingir ser o namorado da garota, para levantar sua auto-estima e dar uma lição naquele pai babaca, que ao invés de incentivar a carreira da filha só estava a jogando na lama.

Após o almoço falhar miseravelmente, Ben e Fallon saem juntos do restaurante, e decidem passar o resto do dia juntos, afinal ambos se completam com suas peculiaridades. Mas ela está se mudando, e aquele é o último dia que passará na cidade, ela não pode se apaixonar tão cedo e muito menos abrir mão de seus sonhos por um garoto que acabou de conhecer, então ambos bolam um plano: Nos próximos cinco anos eles viverão suas vidas normalmente, mas no dia 9 de Novembro vão se encontrar, independente do que estiver acontecendo em suas vidas naquele momento. Ben aproveitará desses encontros para escrever um livro único sobre dois jovens peculiares, e Fallon terá que aprender a se amar mais e não ter medo da sua aparência, a qual foi um empecilho na sua vida desde o acidente.

Mas será que ambos conseguirão ficar tanto tempo sem se falar e só se reencontrar uma vez por ano? Será que um amor pode nascer de duas pessoas que mal se conhecem e que moram tão distantes e não possuem contato nenhum com a outra além de miseras 24 horas em um ano? Que mistérios tia Colleen trará para despedaçar nossos corações interligando a vida desses personagens?

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Um corpo é simplesmente uma embalagem que guarda os verdadeiros dons que contém.

Falar de Novembro, 9 sem dar muitos spoilers é complicado (a váh!) porque assim como os outros livros da autora, tudo fica mais legal quando você vai descobrindo as coisas junto com os personagens, e vai sofrendo, aprendendo a perdoar, aprendendo a se aceitar, aprendendo a viver junto com os protagonistas da história, e é claro o mais legal daqui é ser feito de trouxa, é acreditar que tudo vai dar certo naquele momento e que vão ser felizes para sempre, até a autora revelar algo de cair a bunda, e você ficar se perguntando que merda os personagens vão fazer agora ou como vão se livrar disso para poderem ficarem juntos e felizes no final.

Como vocês viram lá em cima, eu confesso que fui bem cri cri com esse livro, mas depois de Maybe e O lado feio do amor, pensei que esse livro traria mais dramas de desidratar as lágrimas do mundo todo, afinal ele é um dos mais famosos da autora, mas isso não aconteceu muito comigo, milagrosamente não chorei (ainda que senti as dores dos personagens) e quando acabei a história só conseguia pensar: que livro bonito, porém não quero relê-lo (e já falei pra vocês que as histórias da Colleen sempre me fazem querer começar o livro todo denovo assim que termino a leitura).

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Ela não é o tipo de garota por quem você escolhe lutar. É do tipo de garota por quem você luta até a morte,

Fallon é uma protagonista que evolui muito na medida com que os anos passam, ela começa o livro super tímida e toda escondida em golas altas para esconder suas cicatrizes aparentes, mas a medida que vai se envolvendo com Ben e que vai vivendo sua vida de adulta em uma cidade grande as neuras com relação a sua aparência diminuem muito, e isso dá mais desenvoltura na história, porque por mais que eu não possa imaginar o quanto deve ser difícil ter metade do corpo queimado e ter que viver com isso pra sempre no corpo (e na mente) não rolaria ler um livro com esses dramas durante toda a história.

Ben é um caso a parte, ele é um mistério no começo, e logo que vamos lendo seus capítulos vamos conhecendo mais o garoto doidinho e vendo o quanto suas história também não é nada fácil (e a de quem é nos livros da Colleen?) . Eu gostei do recurso da autora ao contar sua história, dos fragmentos de seu passado que iam se interligando a vida de Fallon, e das revelações de cair a bunda no final do livro, ainda que algumas partes tenha achado drama demais de ambas as partes (principalmente o fato de não tirarem uma porcaria de dia para conversarem sobre tais revelações como adultos que são). Mas, sei que esse parágrafo está confuso, mas o que posso garantir é que nosso protagonista aqui vai fazer mais sentido a cada capítulo, e quando as peças começarem a se encaixar, você vai grudar no livro e querer matar Fallon por ser tão precipitada e cabeça dura, e sofrer por tudo que Ben passou.

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E, sim, você tem cicatrizes. Mas quem vê suas cicatrizes antes que de ver você, não a merece. Espero que você se lembre disso e acredite. Um corpo é simplesmente uma embalagem que guarda os verdadeiros dons que contém. E você é cheia de dons. Altruísmo, gentileza, compaixão. Todas as coisas que importam. A juventude e a beleza passam. A decência humana, não.

Mas vamos ao ponto que eu não gostei. O livro não é contínuo, não conta como os dois estão passando suas vidas fora do dia 9 de Novembro, ele é dividido a cada dia que se reencontram no ano, e lá sabemos tudo que passaram em poucas partes, e temos mais da história no tempo presente do que tudo. Pra mim foi isso que estragou um pouco a emoção do livro, afinal eu senti falta de uma profundidade a mais da vida deles, queria ver Ben interagindo com seu sobrinho, irmão, queria ver Fallon vencendo na vida e jogando na cara da sociedade que é uma ótima atriz independente de suas cicatrizes ou não, queria ver eles sofrendo por amor depois das desilusões, queria ver mais lágrimas além de um dia no ano que tiram pra se amar e sofrer na mesma medida, deixando o leitor louco porque é muita coisa para assimilar em poucas páginas. Mas ainda assim o recurso é interessante, pois acompanhamos a jornada desse casal da mesma forma que eles, apenas as 24 horas que duram o dia 9 de Novembro de cada ano, com suas imprevisões, com seus desencontros e encontros, com suas desilusões e intensidades amorosas.

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Por fim, acho que Novembro, 9 segue uma vertente completamente diferente da escrita convencional de Colleen Hoover, porém ainda com seu toque de dramaticidade e carisma dos personagens. Esse livro não é sobre um romance, não é sobre perdas ou encontros e desencontros, e sim sobre perdão. Novembro, 9 fala sobre perdoar os outros e a si mesmo sobre coisas do passado, mesmo que este ainda esteja presente em nossa vida a cada vez que olhamos no espelho ou despertamos pela manhã. É sobre seguir em frente e tentar ser mais leve, mais feliz sem os empecilhos que sempre encontramos para colocar a frente de nossa felicidade, e acima de tudo é um livro que mostra que muitas vezes agimos por impulso em dias ruins, mas isso não nos torna pessoas más, mas sim humanos, cabíveis de erros e dores como qualquer outro ser humano na Terra.

Talvez eu não saiba nada sobre estar paixonada, porque estive dizendo a mim mesma que não estou apaixonada por ele. Que é cedo demais.

Mas não é. O que está acontecendo com meu coração nesse exato momento é relevante demais para ser negado. Acho que estive julgado mal todo o conceito de amor instantâneo. Eu queria muito saber como podemos terminar esses próximos anos com um final feliz.

E pra quem chegou até aqui (depois dessa resenha enorme) só posso recomendar o livro, ainda que não tenha favoritado sei reconhecer quando a história é muito boa e prender o leitor do começo ao fim. No mínimo o livro entraria como 4,5 na classificação, pois tem uma narrativa boa, personagens carismáticos, uma pegada hot de leve, tem uma reviravolta de cair a bunda e é da Colleen Hoover. Se vocês procuram um livro um pouco diferente da autora, recomendo Novembro, 9 de olhos fechados.

 avaliação cupcake - Cópia

5 comentários:

  1. Olá!
    Ainda não li nenhum livro da autora, portanto não conheço a escrita dela. Pretendo ler em breve Métrica, que tenho na estante.
    Sua resenha está muito bem explicada, fantástica mesmo! Parabéns! Depois de ler, fiquei muito motivada para conhecer esse livro, creio que vou gostar. A premissa é super interessante, pretendo ler, com certeza.
    Obrigada pela dica. Beijos.

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  2. Oi!
    Não li nhum livro da autora. Estou louca para ler "O Lado Feio do amor". Sua resenha me deixou curiosa para saber o destino de Fallon e Ben. Livros sobre o perdão sempre nos trazem muitas lições e reflexões. Mais um pra lista (que só aumenta kkk)
    Beijos

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  3. Sou completamente apaixonada pelos livros da autora.
    E com toda certeza,já estou aqui super ansiosa para conhecer mais essa história.
    Não sei quanto a esse livro,mas todos os livros que li de Colleen Hoover,me deixaram bem emocionada em vários momentos.

    Valeu pela resenha sincera! :)

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  4. Oi Sabrina,
    Colleen Hoover é sinônimo de leitura viciante e angustiante! Amo essa autora, eu sou uma pessoa que surta completamente quando é anunciado mais um lançamento, fico na espera de sofrer e me angustiar com suas histórias.
    Ainda não li Novembro, 9, mas garanto que vou ser completamente cativada e envolvida pelo livro, adoro livros que são dramáticos, emocionantes e apaixonantes na medida certa, sem falar numa história repleta de recomeços e reviravoltas.
    Beijos

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  5. Oi, Sabrina!
    Só li Um Caso Perdido da Colleen e fiquei maravilhada com a escrita dela e como ela não cansa de nos surpreender. Adorei a ação do Ben de salvar ela do pai no restaurante, só por isso já deu pra ver o quão fofo ele é. Só achei chato isso de ela não mostrar tanto da vida deles fora esses dias, mas espero que isso seja o de menos quando eu puder ler o livro.

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