Nas entrelinhas do horizonte - Humberto Gessinger

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Skoob – Avalição: 5/5

O mundo é ímpar, não dá para dividi-lo em duas metades iguais. Muito menos ver a linha imaginária que separa a infância da vida adulta. Contemplando o horizonte embalado pela trilha sonora que o tornou um dos ícones do rock brasileiro, Humberto Gessinger lança seu novo livro, intitulado Nas entrelinhas do horizonte, que chega às livrarias de todo o Brasil dia 7 de maio.
Gessinger recorre à memória afetiva para construir crônicas pulsantes e arrebatadoras, em que cada página é uma janela onde passado, presente e futuro se misturam para compor juntos a cena. Uma paisagem que só pelas entrelinhas revela a força da sua música e da sua poesia, por meio de lembranças da infância e da vida adulta, momentos em que deixou e voltou a ser criança, como quando a bola de futebol parou embaixo de um carro e uma descoberta desconcertante aconteceu. Em As entrelinhas do horizonte Gessinger transforma a crônica em música e poesia para falar de sentimentos.

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A maior dificuldade de um blogueiro, é trazer uma resenha de um livro que gostou bastante, ainda mais quando o autor deste é alguém que você segue (tieta) e admira tanto como cantor e compositor.

Nas entrelinhas do horizonte, é um livro de crônicas de Humberto Gessinger, cantor e compositor da banda Engenheiros do Hawaii, que trás músicas muito conhecidas até hoje. Nas páginas deste livro vemos a personalidade de Humberto refletida em cada página: alguém que não é dado ao senso comum, que não liga pra marcas, que prefere andar pelas ruas ao invés de ir de carro, que prefere fotografar sua sombra com a câmera do celular ao invés de usar uma super câmera e registrar um super cenário por onde ele passou.

O livro é dividido em 36 capítulos –crônicas- de poucas páginas onde o autor coloca pequenos poemas, frases emblemáticas ou abstratas, e suas crônicas do dia a dia: pensamentos aleatórios em torno de um tema central, onde Humberto divaga desde assuntos de ‘deixei de ser criança’ a ‘modernizações que ele não conseguiu acompanhar’.

Vemos que muitos dos textos foram escritos em quanto ele caminhava, no trecho de 50 min. entre sua casa e a quadra de tênis, esporte que ele pratica a mais de 20 anos. Nesses pequenos momentos de reflexões aprendemos muito sobre “Quem é Humberto Gessinger” e sobre como ele observa a vida, que passa cada dia mais rápido, principalmente para quem tem compromissos de shows e turnês a cumprir.

O autor também faz alguns questionamentos, que deixam o leitor refletindo sobre o assunto, seja ele sério e melancólico, ou coisas banais sobre as marcas, a influência da internet (chamada de ‘www’ por ele) na vida das pessoas e mais…

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A parte gráfica desse livro é espetacular, como tantas outras da editora. As crônicas são intercaladas entre páginas amarelas e pretas, e as fontes também. Um cuidado todo especial com cada texto, posicionamento das palavras e trechos de destaque, que imerge o leitor ainda mais na obra. A capa trás o autor bem no estilo que estamos acostumados a vê-lo: cabeludo e de óculos, e por dentro das capas há fotos do cantor em uma paisagem muito linda (que se não me engano é sua casa).

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Há momentos divertidos também, onde as crônicas são sobre comportamentos engraçados do ser humano, comportamentos engraçados na ‘www’ e principalmente sobre experiências de vida do cantor/autor, como quando ele era moleque e passava os 60 dias de férias na praia – sendo que 59 eram curando as queimaduras por ser tão branquelo –.

Dentre todas as crônicas separei as que mais gostei, e tenho certeza que mesmo para os leitores que não curtem muito o gênero, vão se identificar com as palavras.

O DIA EM QUE DEIXEI DE SER CRIANÇA

Deixamos de ser crianças quando descobrimos que, todos e para sempre, andamos em círculos. Voltamos a ser crianças quando notamos que nem todos os círculos têm o mesmo raio. É possível andar em círculos tão grandes que sua curvatura, de tão longa, parece uma reta. Pág. 7

Points of no return, daqui não tem mais volta, pra frente é sem saber. O elástico, esticado demais, se parte. Ainda bem que, na vida real, sempre dá pra voltar a ser criança, né? Sim: às vezes é a única forma de sobreviver. Pág. 24

O ÍMPAR, O PADRÃO QUE NÃO HÁ

A gente faz as contas, projeta uma vida na outra, tenta se enxergar como se fosse outra pessoa… A gente busca espelhos porque viver é solitário. Busca simetrias porque a vida é torta. A simetria acalma. Talvez acalme porque nós mesmos somos simétricos. Uma  linha imaginária, dos pés à cabeça, nos divide em duas partes iguais. Buscamos o que já somos? Esquecemos que essa simetria nunca é perfeita.  Pág. 33

UM BAND–AID PARA A ALMA

Não acho que minha música seja boa trilha sonora para autoajuda. Não tenho nada a ensinar e não quero que minha melancolia ou minha excitação, minhas crenças ou meu cetismo, sirvam de exemplo pra ninguém. (…) Não acho que música melancálica aumente a melancolia. Na verdade, ela faz companhia.

MOZART NOS DEVE UM RÉQUIEM PARA O IPOD

Não acredito que as respostas aos problemas de um mundo novo estejam na volta ao passado. Escolhi ter fé nas ferramentas que o ser humano cria. Escolhi ter esperança de que aprendemos a usar essas ferramentas. Para o bem e para todos.  Pág. 87

MESTRE E DISCÍPULO, UM HOMEM SÓ

Por que essa pressa? O caminho mais curto entre dois pontos pode ser uma bênção ou uma maldição. Cada caso é um caso (e isso continua valendo para todos os casos).  Pág. 94

Perder o rumo é bom / Se perdido a gente encontra / Um sentido escondido em algum lugar Pág. 94

AUTORRETRATO (NAS ENTRELINHAS DO HORIZONTE)

O fáscinio dos autorrretratos está na mistura do que somos e do que queremos ser. Sob a aparência simples e direta de um formulário, há um mapa do que escolhemos e do que não podemos evitar. As entrelinhas podem revelar mais do que as palavras.

Afinal, o que faz a beleza do horizonte? As coisas objetivas, que estão lá longe (prédios recortando o céu, montanhas, nuvens) ou nossa subjetiva capacidade de enxergá-las?  Pág. 157

Para os amantes de Engenheiros, tietes do cantor ou mesmo para aqueles que amam – ou nunca leram- crônicas com temas cotidianos, recomendo muito esse livro, e recomendo também o blog do autor, que possui outras crônicas ótimas. http://blogessinger.blogspot.com.br/

 

avaliação cupcake - Cópia

22 comentários:

  1. Poxa, que livro legal! Sem falar que é mesmo lindo :) eu adoro crônicas, sempre estou buscando algo na internet. Então sei que eu gostaria desse livro.
    Além de ser um tema diferente, quanse como se fosse uma biografia, não ? E interessei !
    Abraços

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  2. Oi Sá... eu tbm tieto ele, o conheço pessoalmente... já li muitas coisas dele, mas esse ainda não... ele não é um ser fantástico e com muitaaaa competência pra falar sobre a vida de maneira poética?° É sim... amo Humberto, sua música e sua poesia....
    Realmente, a parte gráfica está lindo... já peguei na mão na livraria, mas não levei.. buá
    tão bom ver um autor do sul se destacando... mas me conta, como vc conheceu ele, se é de minas?????

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    1. Eu curto as músicas dele faz um tempão, acho que conheci pelo youtube ou alguém da minha escola no ensino médio me indicou (não lembro mais hahahah)
      Mas ele já veio fazer show aqui em Varginha, quando era pela Pouca Vogal. Uma pena que eu não consegui conhecer ele pessoalmente :'( Invejinha de vc nesse momento kkkkkkk

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  3. Olá!
    Segunda vez que vejo falar desse livro. Adoro crônicas e nunca ouvi falar sobre esse autor, pois não curto Engenheiros do Havaí, mas me pareceu interessante.
    Beijos.
    https://arsenaldeideiasblog.wordpress.com

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  4. Oi Sabrina, adorei seu post e as fotos também complementaram muito bem a resenha. Eu já ouvi falar muito bem a respeito desse livro, ainda mais porque sou admiradora dos Engenheiros do Havai. E é claro que é uma ótima indicação aos fãs.
    Beijos, Fer

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  5. Oie Sabrina
    Que lindinho! E mais ainda por você gostar tanto dele, adoro livros que dá para ser acompanhados por uma trilha sonora e nada melhor que a dele para cumprir esse papel né? Fique curiosa, confesso, e vou procurar ouvir mais dele antes de ver o livro, vai que eu me encante também!
    Bjokas

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  6. Morri e ressuscitei lendo seu post. Amo o Humberto desde os primórdios, desde que Engenheiros do Hawaii surgiram no cenário original - sou engenheira civil e sim, minha opção profissional foi por causa da banda. Não sabia do livro (que poser!) e já quero pra ontem. A capa e a arte gráfica está maravilhosa.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  7. Olá Sabrina,
    Não sabia que ele havia escrito um livro, preciso, preciso. O livro parece ter várias partes que levam o leitor a reflexão e a gargalhada também. Gostei do trecho de Um Band-Aid para a Alma.
    Anotei a dica e acho que será uma de minhas próximas aquisições.
    Beijos ♥
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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  8. Olá!
    Eu não conhecia o livro, não sou fã do cantor e nem da banda :( Só conheço duas músicas, aliás kkk
    Confesso que o livro não chamou minha atenção, principalmente pelo fato de não gostar de crônicas, então essa dica eu vou deixar passar.
    Mas antes, preciso comentar que o trabalho da editora ficou maravilhoso, hein?!
    Ótima resenha!
    Beijos!

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  9. Oi!

    Eu pouco conheço a banda e o cantor, mas sei da importância deles para o cenário musical brasileiro. Me interessei bastante pela obra, mesmo não tendo tanta admiração assim pelo autor. Adoro crônicas, porque elas me fazem refletir de alguma forma e isso é bem legal. Não leria agora, mas deixo a dica anotada. :)

    beijo!

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  10. Olá!!!
    Eu adoro livros com crônicas,adoro a banda mas não sabia que o Humberto tinha escrito um livro e já fiquei bastante interessada...cada pedacinho divulgado só me fez ter mais e mais vontade de ler e claro com uma pitada de com certeza esse livro já está incluído na minha listinha :)

    http://livroaoavesso.blogspot.com.br/2016/06/lancamentos-de-junho-editora-arqueiro.html

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  11. Olá, tudo bem?
    Primeiro de tudo não conhecia o cantor :/ e mesmo assim livros desse género acabam por não ser para mim. Não tenho muita paciência, acabo por ficar irritada e por isso já há algum tempo que esse tipo de livro "autobiográfico/biográfico" já não entra na minha estante.
    Beijinhos
    www.fofocas-literarias.blogspot.pt

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  12. Oi, Sabrina, tudo bem?

    Não conhecia o Humberto, nunca acompanhei o trabalho da banda, deve ser por isso.
    Eu não curto crônicas, é bem raro eu ler alguma. Porém acho um gênero bem pessoal e interessante.
    Sei como é resenhar um livro que a gente gostou muito, parece que a gente não consegue colocar tudo que a gente sentiu na resenha, né? hahaha
    A parte gráfica do livro realmente está lindíssima e de muito bom gosto! E os trechos que mais gostei foram os da crônica O dia em que deixei de ser criança. O primeiro então é uma grande verdade, até senti um arrepio quando li!

    Beijos
    http://www.meuepilogo.com

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  13. Oi
    Que legal esse livro. Não conhecia, mas assim como você, também sou tiete do Humberto.
    Gostei muito do conteúdo do livro. Com certeza deve ser uma leitura memórável e os quotes que você selecionou dão um bom gostinho disso.
    As fotos estão incríveis também.
    Adoro crônicas e bem preciso dizer que já anotei a dica!
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  14. Oiee ^^
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas sou fã da banda desde que era um bebê...haha' só dormia quando tocava alguma música deles *-*
    Não sou muito de ler livros de crônicas e etc, mas saber que você gostou tanto do livro me deixou curiosa, e eu adorei a diagramação ♥
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  15. Olá!
    Apesar de gostar de crônicas, não é algo que eu tenha muito costume de ler.
    Achei bem interessante o conteúdo, mais por fazer o leitor refletir. Eu amo esses temas de passagem da infância, sabe. Sempre tem aquele momento significativo que a gente não percebe.
    Fiquei com bastante vontade de ler, pois acredito que seja um livro que poderia até me enriquecer no quesito profissional.
    Já anotei o nome aqui.
    bjs
    diariodeumapsicopedagoga.blogspot.com.br

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  16. Olá!! :)

    Este livro nao me pareceu mal por abordar esses temas todos e pelo proposito! :) Parece o tipo de livro que nos pode enriquecer, devido a relexao que possa dai extrair.. :)

    Bem, a verdade e que nao me parece o tipo de livro que queira ler neste momento mas ainda bem que gostaste! :)

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  17. Olá!
    Gosto bastante das músicas da banda. Não tinha conhecimento desse livro e achei a edição linda demais. As imagens, a fonte, as cores das páginas... Enfim, tudo feito com muito capricho.
    As crônicas também são interessante. Não sei se leria, pois não sou amante do gênero, mas gostei bastante do todo do livro.

    Abraços, Lara.
    http://imperioimaginario.blogspot.com.br/

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  18. Ooi,
    Não conhecia o livro nem o cantor. Já ouvi falar da banda mas também nunca cheguei a procurar sobre. O livro parece estar com uma edição incrível e acredito que os fãs do cantor vão gostar bastante.
    Corujas de Biblioteca

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  19. Olá Sabrina!
    Eu já ouvi falar da banda, mas não sei muito sobre ela. Deve ser muito bom conhecer mais de uma pessoa que você admira. Amei os trechos que você deixou na resenha, pois deu para perceber o quanto são boas e algumas reflexivas.
    Sua resenha está maravilhosa.
    Beijinhos!

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  20. Oi, tudo bom?

    Confesso que ainda não conhecia o autor/compositor, mas curti bastante os textos e a maneira como ele escreveu o livro. A editora caprichou na edição, né? Mas esse não é bem um livro que eu leria.

    Abraços,

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  21. Sou fã do trabalho do Humberto Gessinger desde Os engenheiros do Havaí, mas ainda não tive a oportunidade de ler o livro, embora tenha muita vontade. Tenho lido resenhas positivas sobre o livro, e como gosto bastante de ler crônicas, certamente arriscarei a leitura. Creio que apreciarei. O projeto gráfico do livro parece estar belíssimo.

    Tatiana

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