O papel de parede amarelo–Charlotte Perkins Gilman

O papel de parede amarelo

Skoob – Avaliação: 4/5

Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado Women and Economics, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.

* Livro recebido em parceria com Editora *

Uma mulher se muda com o marido para uma casa no campo, longe da civilização, de tudo e de todos para se tratar de uma ‘doença da mente’. Seu médico é seu marido, que lhe receita remédios cada vez mais fortes para que ela melhore e descanse, mas melhorar de que? Ela se sente bem, consegue conversar e articular bem suas ideias...

Mas não é sua ‘doença’ que a preocupa, e sim o horrível papel de parede amarelo que decora o quarto que ela permanece quase 24h por dia. De dia ele se comparta de uma maneira, com desenhos sem padrão nenhum na sua estampa, mas a noite tudo muda, e é aí que entendemos mais da mulher e de sua triste realidade…

Escrito em uma época onde as mulheres não tinham direito algum e eram vistas como ‘bens’ do homem responsável por ela (marido, pai, tio, irmão…) que tinham controle de suas vidas, o papel de parede amarelo foi visto como uma obra perigosa, que poderia colocar ideias nas mentes de mulheres mais inteligentes, e levá-las a rasgar esse horrível papel de opressão que os homens tinham sobre elas e assumir o controle de suas vidas.

Nessa edição lançada pela Editora José Olympio temos um prefácio de Marcia Tiburi, com uma análise bem sucinta, mas direta do conto, levantando alguns aspectos para a melhor leitura do mesmo. E no final, um posfacio de Elaine R. Hedges, explicando o começo do movimento feminista e uma análise muito mais detalhada e impactante não só sobre a obra em questão, mas todo o trabalho da autora que depois desta publicação só desenvolveu mais sua luta pelo feminismo, chegando a fazer comparações e análises muito ‘perigosas’ para sua época, mas que servem muito bem até hoje, quando nós já conquistamos vários direitos, mas ainda precisamos de mais, dos mais importantes…

Com 58 páginas, vemos o poder que o marido exercita sobre a esposa, usando seu título de médico, plantou que ela estava doente e precisava se isolar, não poderia de espécie alguma trabalhar e muito menos escrever, vemos claramente ele a tratar como um objeto, o qual não deve pensar ou questionar, vivendo sob suas regras mascaradas com palavras doces e sorrisos carinhosos. A única pessoa que a mulher mantém contato é sua cunhada, e a mesma também recebe ordens do irmão de não conversar com ela.

No papel de parede horrível que há no quarto, após passar o dia dormindo sob efeito dos remédios, a mulher observa ele mudar a noite, vemos o desejo dela de se libertar, de quebrar as grades que a mantém presa e distante de tudo que gosta, e não entendendo porque foi privada de tudo isso, não entendendo o que é realmente sua doença, já que se sente perfeitamente bem.

Por fim, O papel de parede amarelo é uma obra que deu início ao feminismo, que abriu os olhos para as mulheres rasgarem esse papel de ‘tolinha’ que usaram durante tanto tempo, e imporem a sua importância e valor. Sem dúvidas é uma obra que necessita ser lida e refletida sobre, para que mais mulheres se libertem desses vários tipos de papeis que as prendem.

Metáforas da autora para criticar o sistema social e econômico que escraviza e humilha as mulheres:

1 – As mulheres são sustentadas, como cavalos:

O trabalho das mulheres dentro de casa sem dúvida permite aos homens produzir mais riqueza do que o normalmente conseguiriam; e desta forma as mulheres têm papel econômico ativo na sociedade. Mas o mesmo vale para os cavalos. O trabalho dos cavalos permite aos homens produzir mais riqueza do que normalmente conseguiriam. Os cavalos têm papel econômico ativo na sociedade, mas não têm independência financeira, assim como as mulheres.

2- Que as mulheres são usadas como vacas:

A vaca selvagem é uma fêmea. Ela tem bezerros saudáveis e leite suficiente para eles. E essa é toda a feminilidade de que precisa. Do contrário, ela é bovina em vez de feminina. É uma criatura leve, forte, veloz e resistente, capaz de correr, saltar e lutar, se necessário. Nós, com propósitos econômicos, desenvolvemos artificialmente sua capacidade de produzir leite. A vaca se tornou uma máquina ambulante de produzir leite, criada e guiada para esse fim expresso, seu valor medido em galões.

 

avaliação cupcake - Cópia

tc abril mini

13 comentários:

  1. Gostei por destacar a vinda do feminismo , o enredo é lindo e parece um livro que demonstra a coragem de uma mulher guerreira cansada dos padrões, ler a resenha me fez ter altas expectativas ao livro

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  2. Estou louca para ler esse livro e também Vamos Juntas? da Babi Souza, justamente por colocar em mais evidência o feminismo. Apesar de ser um livro bem fino, acho que ele traz a essência do que era ser mulher naquela época, a dificuldade de não ser dona da sua própria vida e escolhas, além de mostrar todas as lutas que as mulheres devem ter passado até chegar a nossa sociedade atual, e que infelizmente está longe de ser uma sociedade com igualdade de gêneros. Espero ler esse livro em breve, principalmente por ser um clássico da literatura feminista, e tenho a certeza que vou gostar, beijo!

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  3. O Papel de Parede Amarelo é mais uma obra que devo acrescentar em minha lista de leituras. A narrativa é espetacular, em especial por focar em um tema tão forte que é o feminismo, mostrando as dificuldades das mulheres daquela época e ao mesmo tempo, nos ensinando que devemos lutar por nossos direitos e deveres. Acredito que este livro é uma leitura obrigatória e que todos deviam ler.
    Resenha incrível!
    Bjs, Sabrina!

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  4. Olá...
    "O papel de parede amarelo" com certeza é mais um livro que vai entrar pra minha lista de leituras, principalmente por ser um livro que traz a tona o movimento feminista... Que mostra o quanto a mulher precisou demonstrar a sua força em um momento que nem sequer tinha o direito de expressar seus sentimentos... Realmente todos deveriam ler e que esse livro possa ajudar realmente cada mulher a abrir os olhos e realmente encontrar seu lugar e sua liberdade na sociedade.
    Beijinhos

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  5. Uau! Estou impressionada não com o tema do livro, mas sim com infelizmente é tão atual.
    É bom vir aqui, pois sempre tem dicas otimas de livros que jamais iria atras.
    Gosto de histórias, principalmente contos, que exploram o psicológico dos personagens.
    Esse, além disso, ainda tem uma crítica muito interessante e atual.
    Com toda certeza eu vou ler ele.
    Também gostei de conhecer essa autora que até então eu não conhecia, realmente.
    Podemos ver que era uma grande mulher.
    Dica maravilhosa!

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  6. Não costumo ler muitos contos, mas esse me mostrou o quanto o gênero pode ser interessante. Preciso dizer que odiei o marido logo de cara (mesmo sendo homem, não consigo imaginar) por mais que esse conto tenh sido escrito a varios anos é sei lá é quase um caracteristica real da epoca.
    O papel de parede amarelo mostra uma protagonista totalmente diferente daquelas que estamos acostumados a ler, é totalmente subjulgada ao marido e um marido "protetor" e "dedicado" a curar a enfermidade da sua mulher!
    Que bom que vc teve a oportunidade de ler esse conto, muito bom sua resenha. Parabéns!

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  7. Nunca tinha ouvido falar desse livro e me assusta imaginar o que a autora sofreu na época em que ele foi escrito. Se hoje em dia nós somos julgadas por ser mulher, imagina como não era no século XIX! É apavorante e nos dá um gás a mais para lutar e mudar as coisas, para que o mundo seja diferente quando nossas filhas crescerem.

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  8. Esse livro ta na minha wishlist a uns bons anos (sou fã de pll e alguem fez um post comparando pequenas coisas com alguns livros e descreveram esse e fiquei muuuuito curiosa pra lê-lo). Confesso que coloquei muuuuitos acima dele e deixei de lado a vontade. Nunca tinha lido nenhuma resenha completa dele, mas depois dessa fiquei mais encantada ainda.

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  9. ps: acho que lembro do final que escreveram que acontece nesse livro e se for mesmo o que eu lembro, sobre ela ficar dando voltas no quarto e você sabe.. Então foi isso que me fez querer ler o livro de primeira.

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  10. Julgando pela capa e pelo título eu não imaginaria que se trataria de uma história como esta. Esses livros onde ocorrem pressão psicológica sempre me deixam muito nervosa e envolvida com a história. Não sou muito de ler clássicos, mas esse me chamou a atenção por se tratar do início do feminismo. Quero muito saber como isso começou e que fim teve essa história. Tenho certeza que esse livro vai me fazer odiar o marido dela, na verdade, já estou odiando. Não dava nada pelo livro mas agora estou morrendo de vontade de lê-lo.

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  11. Infelizmente a ideleogia feminista é bonita no papel, mas na prática... nao tenho interesse nenhum em ler esse livro. Essa é MINHA opinião.

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  12. Oi!
    Ainda não conhecia esse livro da Charlotte Perkins, mas ele parece ser um marco, ainda mais dado incio ao feminismo e com certeza um livro bem polemico para a época que foi escrito, achei bem interessante a critica social que o livro nos apresenta principalmente como as mulheres eram tratadas e seu papel na sociedade naquela época, me deixando interessada nesse livro !!

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  13. Oi.

    Nossa, confesso Que se visse esse livro em alguma livraria passaria sem nem olhar, por que essa capa e esse nome não me conquistou.
    Porém a narrativa sim, eu durante a resenha sentir a opressão que essa mulher sofre, é como se o leitor estivesse no seu lugar.
    Interessante essa premissa e o foco ser o papel de parede.
    Fiquei muito curiosa, sobre essa leitura.
    Boa Noite.

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