Entrevistando #1–Sergio Rossoni

Oi pessoal, tudo certo?

Semana passada tivemos uma resenha espetacular, do livro Birman Flint, e hoje trago uma resenha que o autor respondeu especialmente para o Gordinha Assumida.

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1-Olá Sérgio, muito obrigado por ceder essa entrevista ao Gordinha Assumida. Para começarmos, conte-nos quem é Sérgio? O que gosta de fazer, ler.....

Desde pequeno minha maior paixão era o desenho. Costumava fazer adaptações de filmes para minhas próprias hqs, colecionando tbm livros adaptados de filmes (algo difícil de encontrar nos inicios de 80, mas que, vez ou outra, davam o ar da graça por aqui).

Já nessa época, costumava ler grandes clássicos da literatura (Julio Verne, Alexandre Dumas, Daniel Defoe, Melville e Conan Doyle), me tornando um apaixonado por livros de aventura e ficção, sem contar com os herois japoneses como ultraman e ultraseven. Paixões que me acompanham ainda hoje.

Estudei música, e trabalhei como musico e produtor durante 15 anos, onde realizei um trabalho para empresa desenvolvendo o roteiro para um cd de estorias infantis, cuja temática, era o meio ambiente. Isso despertou novamente a vontade de escrever, criar, desenhar, e aos poucos, fui parar num divã de terapia tentando entender todo esse processo.

A terapia foi tão legal, que mergulhei no mundo freudiano; acabei estudando psicanalise tornando-me terapeuta e deixando o mundo da música profissional.

De lá pra cá, muitas coisas foram desenterradas do meu passado e concluídas, como por exemplo, a vontade de escrever, frequentando algumas oficinas literárias, além do meu curso de desenho que fiz na Quanta academia de artes (um sonho de garoto) - aprender a desenhar de verdade...

Respondendo sua pergunta sobre o que gosto de fazer e ler, posso dizer que  na literatura, adoro livros de fantasia e mistério, em especial, steampunk, mesclando a era vitoriana com uma pitada futurista. Sou aficionado por romances arqueológicos e históricos, muito embora não seja muito fã de épicos medievais ou terras mágicas.

Sou rato de livraria, e nunca vou com um título em especial para comprar. Geralmente passo horas olhando, examinando sinopses até sair de lá com um novo exemplar, seguido de um café junto com minha mulher. Geralmente, estes são nossos passeios preferidos.

Adoro ficar em casa vendo um bom filme; Assim como meu personagem, o Flint, sou bastante introspectivo escolhendo lugares pouco badalados e barulhentos.  Neste caso, costumo de dizer que estou na profissão certa, pois tanto no consultório quanto no escritório de casa, sempre estou mergulhado num silencio repleto de sons, ideias, ora desenhando, escrevendo, ou escutando meus pacientes.

2- Como foi a criação desse universo? Você demorou muito tempo para concluir o livro, ou já tinha a ideia bem trabalhada quando resolveu passar tudo para 'o papel'?

Foi um longo caminho (4 anos), entre o primeiro esboço que não tinha nada a ver com o livro, até chegar finalmente no Birman Flint.

Muitas das ideias foram surgindo enquanto eu escrevia a terceira versão, que de fato seria uma previa do livro acabado.

Quanto a criação desse universo, como psicanalista acredito que já existia em mim, inconsciente ou não. Uma soma de todas as coisas que me encantava numa grande aventura, somado ao desejo inconsciente e consciente de querer vê-las num livro, ou numa hq, e mesmo num filme.

3- O que podemos esperar para o livro 2? E quando ele será lançado? 

Surpresa (rs)

O livro foi escrito numa só tacada. Logo, podemos esperar que as cortinas em torno do mistério envolvendo nosso heroi, caiam revelando todas as perguntas que ficaram no ar. O que é Ra´s ah Amnui? Qual é a ligação entre a dinastia Ronromanovich com a antiga seita Suk? Qual é o mistério em torno da pérola, enfim...

O livro tem previsão para o segundo semestre de 2016.

4- A série Birman Flint terá quantos livros? E podemos esperar outros casos onde Flint ajudará?

Criei o Flint pensando numa serie longa, talvez inspirado em alguns dos personagens que mais gosto - Tintin, Corto Maltês e Indiana Jones  - Já tenho esboçado o que será um novo livro do Flint e seus amigos, mas antes estou envolvido num novo trabalho, explorando um personagem bem diferente do gato repórter. Tão logo conclua esse projeto, começarei a escrever uma nova aventura do gato repórter...com certeza.

5- No primeiro livro, os personagens mais legais (na minha opinião) são gatos. Fale mais sobre seu amor pelos seus felinos. 

Como protetor e amante dos animais, minha experiência com gato foi algo que me ajudou a transformar-me num ser humano melhor.

Sou da opinião sobre o amor incondicional que animais de outras raças parecem experimentar, bastante diferente do homem. Possuo cinco filhos felinos que me enchem de amor, e pedem muito amor e atenção, e sim, considero-os meus filhos independente da espécie ou raça.

Imagino que esta experiência com felinos tenha se iniciado com Mush, um lindo gato que recuperei das ruas e com quem aprendi uma infinidade de coisas sobre o amor, afeto, carinho, atenção e cuidados. Infelizmente ele já partiu, mas deixou o desejo de criar algo que pudesse transcrever esse meu sentimento pelos bichos, chegando finalmente ao Birman Flint. Obviamente que meu convívio com eles acabou por influenciar na criação da maioria dos personagens, pois me sinto bastante intimo dessa espécie incrivelmente linda e amável.

6- Em uma passagem do livro 1, vemos um trecho do livro de gêneses onde relata a criação do universo, a partir do rugido de um leão. Em Nárnia, a criação daquele universo se dá de forma semelhante, onde Aslan com seu rugido (cântico) cria Nárnia. Você tem alguma inspiração de Lewis em sua escrita? 

Isso talvez comprove minha crença na ideia do inconsciente coletivo, onde ideias ainda em forma de energia vagam pelo coletivo, e acabamos por conecta-las de alguma forma. Às vezes, muitos artistas acabam criando algo muito semelhante, e creio nessa teoria. Hermeto Pascoal disse algo parecido sobre a música.

Bom, acho incrível isso, pois acredite, nunca li a obra de Lewis. Como disse, o universo de Nárnia, ainda que incrível, nunca me atraiu, da mesma forma como o universo de tolkien. Uma coincidencia? Quem sabe...ou a ideia vagando pelo coletivo a mercê de todos nós.

7- Depois que terminou o primeiro livro, você sentiu vontade de mudar algo importante na história, ou estava seguro de tudo que escreveu?

Eu reescrevi duas vezes o livro - foi um processo bem demorado mas muitooooo prazeroso. No processo final, sentia como se a história tivesse ganhado vida, me contando a própria história. Não mudei nada, e procurei seguir o conselho do Ricardo Filho (um dos meus mentores), de deixar a história fluir, e deixa-la que se conclua naturalmente. Tornei-me apenas o interlocutor, mensageiro desses personagens que ditavam os acontecimentos.

8- Como sua profissão de psicanalista influenciou na construção dos personagens?

Compreendendo as facetas psíquicas do ser humano; os medos, os desejos, o julgo; compreendendo que não existe o bom e o ruim, mas sim o bom e ruim - o bem e o mal - são partes de uma mesma moeda (todos nós); Flint, Ratatusk, de alguma forma representam o meu próprio universo interno, assim como Gatus, Rufus, Bazzou e até mesmo Gosferatus. Arquétipos daquilo que julgo bem ou mal, forte ou fraco, e que no fundo, são meus próprios arquétipos,

9- O que te motivou a escrever? E qual autor lhe inspirou a criar uma história de fantasia tão diferente, com um mundo onde animais são os protagonistas?

Acho que todo este universo de livros, filmes, aventuras imaginarias desde a infância serviram como fonte de inspiração. Acho que o Herge (Tintin), foi um dos autores que mais me inspirou a criar o gato repórter, seguido pelo Hugo Pratt, criador de Corto Maltes. Quanto ao mundo de Flint, sombrio, frio, e cheio de enigmas, volto a dizer sobre os ingredientes que sempre estiveram presentes em mim como receita daquilo que consideraria uma boa aventura.

Animais são minhas paixões e torna-los protagonistas foi minha homenagem a todos aqueles que lutam para protege-los, mas posso tbm citar a influência dos personagens da disney, que se portam dessa mesma forma maneira.

10- Essa é difícil! Qual seu livro favorito? Você tem algum gênero literário que não vive sem, e um que não passa nem perto, ou é bem eclético e lê de tudo? 

Caramba; Puxa, vc me pegou. Vou começar pelo gênero que não vivo sem: Suspense e Fantasia; Biografias não entram na minha estante; acho muito difícil me interessar por elas, mesmo admirando o protagonista.

Meu livro favorito: Viagem ao centro da Terra

11- Você acha que a literatura fantástica tem um bom público no Brasil? Principalmente para abraçar autores iniciantes? 

Está crescendo muito, e acho que sim, o interesse por novos autores, ainda que iniciantes, revelam o quanto somos desejosos de experimentar o novo; uma nova aventura, uma nova forma de escrita, enfim...

12- Você teve muito trabalho para conseguir publicar o seu livro?

Percorri o caminho convencional enviando meu original para editoras, mas sempre com muito entusiasmo e confiança.

Costumo dizer para meus pacientes em terapia que não existe o difícil - existe você acreditar no difícil.

Nunca entrei no processo negativo das pessoas dizendo o quanto é difícil publicar um livro, lançar um cd, viver de música, etc.

Existem sim situações que temos que passar, umas mais complicadas, outra menos. Tudo vai de como encaramos todo o processo, com confiança, calma, serenidade, ou negatividade. Sou de uma linha terapêutica que prega o seguinte: A vida o trata como você se trata. Creia em dificuldades e elas se tornam reias.

13- Muito obrigado por ter respondido a entrevista, e espero vê-lo mais vezes aqui no blog Sérgio. Por fim, deixe uma mensagem para os leitores do blog Gordinha Assumida. 

Eu é que agradeço muitooooo. Espero vê-la sempre.

Não sou bom em dar mensagens e conselhos, mas sem querer ser piegas, gostaria de dizer que:

Tudo é possivel! Até mesmo um gato se tornar repórter.

bjs para todos.

 

Obs: Não se esqueçam de participar do sorteio ^^

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10 comentários:

  1. Gostei de saber mais do autor e a forma como desenvolveu o seu livro e seu amor por animais e gatos parabéns ao autor por sua obra.

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  2. Não conhecia o livro e nem o autor. Parece ser uma obra bem interessante. O livro favorito dele é um que eu amo também. .. Viagem ao centro da Terra.

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  3. Oi Sabrina,
    Não conhecia o autor nem seu trabalho mas gostei muito da entrevista que você realizou com ele...
    Achei estranho o fato de ele não conhecer Lewis mas escrever algo tão parecido, mas enfim...
    Bacana ele estar preocupado com os animais e colocar isso no livro.
    Essa pergunta de livro favorito foi difícil, normalmente temos vários favoritos :)
    Eu queria muito ler Viagem ao Centro da Terra, o filme é incrível.
    Desejo sucesso ao autor :D

    Abraço e Bons Livros,
    Biblioteca do Coração❤

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  4. Olá

    Não conhecia o autor,adorei a entrevista,gostei da ideia dele de homenagear os animais,reescrever o livro duas vezes,a gente nunca imagina quanto tempo um autor demora pra escrever um livro,desejo muito sucesso ao autor.

    Bjss

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  5. Olá!

    Não o conhecia, mas já quero ler só por ter um gato repórter! Parabéns pela entrevista, perguntas bem pertinentes, mesmo tendo encontrado uns errinhos de digitação, mas nada muito grave. Vou pesquisar mais sobre o autor e, quem sabe, ter a oportunidade de ler esse livro, que já sei que é maravilhoso só por ter gatos!

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  6. Oiii!

    Parabéns pela entrevista!!!

    Eu sou apaixonada por esse tipo de coluna porque conhecemos grandes autores assim. Suas perguntas foram pertinentes e o autor foi um querido. Tem uns que só responde o básico. Gostei da forma como desenvolveu as respostas.

    Espero mais entrevistas por aqui.

    Beijinhos

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  7. Olá!
    Essas entrevistas são ótimas, sempre trazendo novo autores e a oportunidade de sabermos mais sobre eles e sobre seus livros. Não conhecia o livro e nem o autor. Gente, o processo de escrita é duro né? mas imagino a felicidade quando vê o livro ali pronto. Parabéns ao Sergio e a você Sabrina pela entrevista bem dinâmica.

    Beijos!
    http://lovesbooksandcupcakes.blogspot.com.br/

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  8. Saudações literárias! Gostei da sua entrevista, sempre é bom conhecer novos autores e poder divulgar os seus livros. E com certeza esse autor vai fazer muito sucesso com o seu livro e pode ter certeza que vou participar do sorteio.

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  9. Olá!
    Eu não conhecia nem autor e nem sua obra.
    Gostei muito da entrevista para conhecer mais sobre ambos os assuntos.

    Lisossomos

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  10. Olá!
    Não conhecia o autor nem a sua obra, como muito gente já deve ter dito aqui nos comentários, mas achei ele legal como pessoa, pelo menos pela sua entrevista. Aliás, parabéns por ela. Sembre é bom conhecer um pouco mais sobre quem escreve os livros que lemos.
    Beijos.

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